Cadeirantes e bexiga neurogênica

Estatisticamente todos os cadeirantes desenvolverão algum tipo de problema na bexiga e/ou função sexual, em graus distintos de severidade. No caso do sistema urinário, isso gera dificuldades para esvaziamento e/ou armazenamento da urina (funções primordiais da bexiga), ocasionando retenção e incontinência urinária, infecções urinárias ou cálculos na bexiga.

Chamamos de “bexiga neurogênica” aquela com problemas decorrentes de lesão de fibras do sistema neurológico que “chegam ou saem” da bexiga. Decorrente de acidentes automobilísticos, quedas de altura, acidente por mergulho em água rasa ou ferimentos por arma de fogo, a bexiga neurogênica pode ser flácida ou espástica.

A bexiga “espástica” apresenta contrações não inibidas (também chamadas de hiperatividade do detrusor ou bexiga hiperativa). Essas contrações levam a dor abdominal, urgência e eventual perda de urina de forma espontânea. Além disso, a pressão no interior da bexiga se eleva, podendo ser repassada para os dois rins, o que pode comprometer a função deles. Quando a capacidade da bexiga é diminutiva e há hiperatividade, existe indicação formal de ampliação vesical, cirurgia que aumenta a capacidade da bexiga com auxílio de alça intestinal.

Já a bexiga flácida ocorre quando a bexiga é dilatada, com grande capacidade para reter urina e péssima função de contração e esvaziamento pleno. O paciente acaba não tendo contração eficiente da musculatura e represa a urina, desenvolvendo infecção urinária de repetição e/ou formação de cálculo dentro da bexiga. A única alternativa nestes casos é a passagem de sonda várias vezes ao dia, chamada de cateterismo intermitente.

As alterações da bexiga podem mudar ao longo da vida nos cadeirantes. Portanto, aquele que tem uma bexiga hiperativa pode vir a ter uma flácida. Por isso, a avaliação do urologista deve ser constante e rotineira. Todo cadeirante deve ser examinado por especialista, para definição da melhor conduta.