Sexualidade na terceira idade

A sexualidade não é apenas fazer sexo, ela também envolve beijo, toque, cheiro, entre outras coisas. É plenamente possível que a pessoa idosa, como qualquer outro ser humano, vivencie a sexualidade como uma importante dimensão da sua vida, embora, com o passar dos anos, ocorra uma diminuição natural na resposta aos estímulos sexuais. No homem, a produção de espermatozoides e testosterona diminui após os 40 anos. A mulher idosa perde a libido, enquanto o homem a mantém, porém pode apresentar disfunções na ereção e ejaculação. As alterações podem intervir no aspecto sexual, social e psicológico da pessoa idosa. 

Existem formas de amenizar essas mudanças fisiológicas, como o uso do lubrificante, principalmente para as mulheres idosas que acabam tendo ressecamento vaginal, o que pode até machucar.

Além disso, é importante lembrar que os idosos também precisam de cuidados para prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O uso do preservativo feminino pode ser uma boa opção porque pode ser colocado antes do ato sexual e, muitas vezes, o homem tem medo de perder a ereção ao colocar a camisinha masculina.

Na verdade, a redução da frequência de atividades sexuais pode acontecer em todas as fases da vida. No fundo, parar de fazer sexo é uma questão de escolha e não um fator biológico. Conforme o indivíduo envelhece, a probabilidade de desenvolver doenças crônicas aumenta, afetando negativamente o desempenho sexual. Interromper a atividade sexual em vez de procurar ajuda é um caminho mais “fácil” e cômodo. O efeito psicológico disso normalmente é percebido por insegurança e receio com o próprio corpo, o que, sobremaneira, afeta a autoestima do indivíduo.

Coceira no escroto: o que pode ser?

A “coceira no saco” (escroto) não precisa se relacionar a doença, podendo ocorrer pelo suor e fricção. Isso forma uma espécie de “assadura”, que pode coçar ou doer.

O homem deve ficar atento se a coceira é constante/intensa, levando ao surgimento de ferida.Nesses casos, a coceira pode representar:

– Infecção por fungos: calor e excesso de umidade por várias horas predispoe ao desenvolvimento de fungos. Isso é mais comum em homens que não tomam banho após exercício físico ou que utilizam cueca de material sintético (não algodão). Nesses casos, além do incômodo da coceira, também podem aparecer manchas avermelhadas na pele.

– Reação alérgica: o homem pode ter alergia ao látex do preservativo, a cuecas de material sintético (poliéster ou elastano) ou até mesmo ao sabonete na higiene íntima.

– Chatos ou piolhos pubianos: podem ser transmitidos sexualmente e causam intensa coceira e vermelhidão no local.

– Doenças Sexualmente transmissíveis (DSTs): embora não seja um sintoma comum nesses casos, algumas DSTs, como herpes ou HPV, podem causar coceira na região do saco escrotal.

Se você apresentar coceira intensa e/ou vermelhidão, não se automedique, procure um médico para o diagnóstico e tratamento adequados.

Quando o adolescente deve ir ao urologista?

A adolescência é formada por muitas transformações importantes que vão preparar os jovens para a vida adulta.

As meninas são incentivadas pelas mães e têm por hábito consultar-se anualmente com ginecologista, desde a primeira menstruação. Culturalmente isso não ocorre com os meninos. Estima-se que mais da metade dos homens acima dos 35 anos nunca foram ao urologista.

As causas mais comuns para tratamento urológico na infância são: criptorquidia, fimose, hidrocele e torção de testículo. Os cuidados devem ser mantidos na adolescência, antes de iniciar a vida sexual, e mesmo depois disso.

O desenvolvimento do corpo masculino acontece de forma desordenada na puberdade. As mudanças corporais nesta fase da vida podem gerar angústia, timidez, insegurança, baixa autoestima e até agressividade.

Além disso, dúvidas quanto ao tamanho do pênis, forma, quantidade de pele, ereções matinais, entre outras, são muito comuns e um médico urologista pode ser muito útil para saná-las.

Consultar-se na adolescência com um urologista ajuda o paciente a tirar suas dúvidas sobre sexualidade e permite tratar precocemente doenças como varicocele, o que evitaria uma possível infertilidade. A consulta torna-se então fundamental para o adolescente conhecer melhor o seu corpo

O que acontece quando o testículo não desce? Conheça a criptorquidia

A criptorquidia ocorre quando os testículos apresentam um desvio em sua trajetória natural e não descem para o escroto.

Durante a vida fetal, os testículos se desenvolvem no abdome e iniciam seu trajeto de ‘descida’ para a bolsa testicular, finalizando-o até o fim da gestação. Comum em bebês prematuros, esta doença ocorre quando um dos testículos (ou os dois) ficam parados em algum ponto desse trajeto.

Caso isso ocorra, a anomalia deve ser corrigida o mais rápido possível, no intuito de preservar a função germinativa (de fertilidade e produção de testosterona) do menino. O tratamento pode se dar através de hormônios ou cirurgia, de nome orquidopexia.

A cirurgia é realizada por uma incisão de dois a três centímetros na região inguinal, que permite, na grande maioria dos casos, o reposicionamento correto e definitivo do testículo no escroto, bem como a correção de hérnias associadas.

Após o tratamento, o testículo irá se desenvolver normalmente com o passar do tempo.

Em caso de dúvida, consulte um especialista.

Saiba o que é a extrofia de bexiga

A extrofia de bexiga é uma má formação ao nascimento, através da qual o indivíduo nasce com a bexiga exposta para fora do abdome.

Com causa desconhecida, o problema se desenvolve a partir das 4 semanas de gestação, período em que vários órgãos do feto passam a ser formados. Apesar de genética, esta característica não é hereditária (não vem de pai pra filho). Ocorre em 1 a cada 30 mil nascimentos, sendo mais comum no sexo masculino. O tratamento é sempre cirúrgico, geralmente realizado em três estágios.

No primeiro, entre as 24 e as 48 horas de vida do bebê, se dá o fechamento da bexiga e do abdome. Aos 2 ou 3 anos de vida, a segunda cirurgia repara a má formação na uretra da criança. E, por fim, aos 4 anos de vida a criança passa por uma correção da incontinência urinária.

Em casos peculiares, outros procedimentos podem ser adotados, como a ampliação da bexiga com o intestino e o reimplante dos ureteres.

Não se esqueça: em caso de dúvida, consulte sempre um especialista.

Saiba como prevenir o câncer nos rins

O câncer renal é uma doença rara, que pode levar à perda do órgão. Nem sempre sua causa é conhecida e, em muitos casos, a doença tem fatores hereditários.

Sabemos que os pacientes que realizam hemodiálise apresentam de 5 a 20 vezes mais chance de desenvolver os tumores, em relação à população em geral. Há pequenas medidas podem ser tomadas para ajudar a reduzir o risco desta doença. Vamos a elas:

Obesidade e pressão arterial elevada são fatores de risco para o câncer nos rins. Hábitos saudáveis de vida regularizam a porcentagem de gordura corporal e a pressão arterial. Para isso, devemos adotar uma alimentação rica em frutas e vegetais e evitar alimentos com grande quantidade de sódio. Além disso, o tratamento com medicações da hipertensão já instalada é essencial.

Outro fator de risco a ser evitado é o tabagismo. Por último, devemos evitar a exposição a substâncias tóxicas, como solventes orgânicos.

Em caso de dúvida, consulte sempre um especialista.

Será que seu rim está fora do lugar?

Normalmente, os rins se localizam um em cada lado do organismo, embaixo das costelas, na região lombar. Lá, são fixados por várias estruturas, como ligamentos, fibras musculares, vasos sanguíneos, entre outras.

Porém, em casos peculiares, podem estar localizados em outras regiões do corpo. A frequência destas anomalias é de 1 em 900 nascimentos, não gerando sintomas explícitos, o que dificulta a descoberta de tal diferença.

Esta é a chamada ectopia renal, um defeito congênito que ocorre durante a migração dos rins para seus locais habituais, durante a gestação:

– Ectopia renal: quando o rim está abaixo da localização correta.

– Ectopia renal cruzada: o rim se localiza no lado oposto.

– Fusão renal: quando um rim é ligado ao outro.

– Rim em ferradura: ambos estão juntos em uma linha, como se fossem um só.

– Rim pélvico: aparece por trás da bexiga, em posição incorreta.

Pacientes que têm ectopias renais sofrem com maiores formações de cálculos, infecções urinárias e problemas de fluxo urinário, mas, no geral, podem levar uma vida normal.

Em caso de dúvida, consulte sempre um especialista.

Entenda para que serve a reposição hormonal masculina

Embora mais comum entre as mulheres, a reposição hormonal está se popularizando também entre os homens.

 

Este tratamento é recomendado para andropausa, comum em homens a partir dos 40 anos, caracterizado pela baixa produção de testosterona. Acarreta em: diminuição do desejo sexual, falta de energia, menor capacidade de ereção, obesidade, ondas de calor e irritabilidade.

 

O tratamento é feito por urologista com medicações via oral, injeções, adesivos ou implantes de testosterona.

 

Vale destacar que o tratamento é contraindicado para homens que possuem suspeita ou confirmação de câncer de próstata ou mama.

Para combater ou prevenir a andropausa, também é importante que o indivíduo mantenha hábitos saudáveis, como boa alimentação, prática regular de exercícios físicos, evitando o consumo de álcool, nicotina e drogas.

 

Não se esqueça, em caso de qualquer dúvida, procure sempre um especialista.

Saiba mais sobre a ereção matinal

Qualquer homem sabe que é normal acordar com o pênis ereto, mesmo sem haver nenhuma motivação ou excitação.

As ereções são parte do ciclo do sono REM (Rapid Eye Movement), uma fases do sono em que ocorrem os sonhos. Indivíduos saudáveis tem normalmente de quatro a cinco ereções durante o período de repouso.

Nesta fase, o corpo recebe diversos estímulos nervosos, entre eles o de fluxo maior de sangue e ocorre maior vasodilatação no corpo, incluindo no órgão genital, o que leva a “excitação”.

Além disso, o ato também ocorre por um mecanismo de defesa do corpo, que faz com que o “mecanismo” de ereção continue funcionando durante toda a vida, mesmo de forma involuntária.

 Em pacientes com queixas de disfunção erétil é comum escutarmos que as ereções noturnas diminuíram em frequência, ou mesmo cessaram. É uma forma indireta de diagnosticar problemas de ereção. Vale sempre a pena procurar por outros problemas cardiológicos ou neurológicos quando ocorre tal queixa.

Não se esqueça, em caso de qualquer dúvida, procure sempre um especialista.

E então, doutor: meu xixi tem gosto de quê?

A uroscopia, inspeção da urina para determinar a condição física do paciente, é uma das ferramentas diagnósticas mais antigas. Sua utilização remonta à medicina praticada na Suméria e na Babilônia, cerca de 4000 anos atrás. Praticada por médicos gregos e romanos, a sua utilização chegou à Europa trazida pelos árabes e se tornou parte fundamental do diagnóstico clínico.

O termo uroscopia significa literalmente “observação da urina”. Há vários tratados antigos sobre o tema, mas o texto que teve mais influência na medicina ocidental foi escrito por Theophylus Protospatharius (610-641), chamado De Urinis. Por muitos séculos, autores de textos uroscópicos se referiram a esse texto.

A orientação era para que a urina fosse coletada em 24 horas em um frasco grande e transparente, que deveria ser protegido do calor, do frio e da luz do sol. Esse recipiente era chamado de “matula” e, durante a idade média, tornou-se um símbolo fortemente associado à profissão médica. Muitos médicos, quando contratavam os serviços de pintores para retratá-los, faziam questão de posar com sua matula (à semelhança de muitos médicos e estudantes de hoje em dia que publicam fotos nas redes sociais portando seus estetoscópios pendurados no pescoço).

O médico persa Ismail Sayn al-Din Gorgani (1040-1136) ensinava que os seguintes aspectos deviam ser sistematicamente verificados: a quantidade, a cor, a consistência, a transparência, a presença ou ausência de sedimentos (muito importante no diagnóstico de litíase urinária), a presença de sangue (hematúria), o odor e até o sabor da urina. Dessa prática nasceram as denominações de algumas doenças. Urina em grande quantidade e com sabor de mel, por exemplo, recebeu a denominação de diabetes mellitus. Urina em grande quantidade e sem gosto (que ocorre quando a pessoa não secreta adequadamente o hormônio antidiurético) foi chamada de diabetes insipidus.

Como referência, os profissionais utilizavam uma imagem muitas vezes reproduzida chamada de “A Roda da Uroscopia”, que trazia os diferentes aspectos que a urina poderia apresentar, com os diagnósticos correspondentes.

O ritual de analisar o líquido, entre os séculos XIV e XVI, tornou-se o ponto alto da consulta com um médico europeu. Enquanto o paciente aguardava nervosamente, o doutor alongava o quanto podia o processo de cheirar, olhar contra a luz e provar a urina (processo semelhante ao utilizado pelos enólogos), finalmente emitindo um diagnóstico.

Também à semelhança dos enólogos, alguns uroscopistas desenvolveram habilidades fantásticas. Conta-se a história da adolescente que foi levada à consulta pela mãe desconfiada, com suspeita de gravidez. A temerosa jovem misturou a própria urina com urina de vaca, no intuito de confundir o profissional e este, ao final da análise, declarou: “esta amostra tem urina de uma mulher e urina de vaca; ambas estão grávidas”.

O famoso médico persa Avicena (latinização de Abd Allāh ibn Sīnā) (980-1037) incluiu em sua influente obra “Cânone da Medicina” (texto padrão em muitas universidades medievais) uma seção que ensinava os médicos a diferenciar urina humana daquela de animais, alertando seus estudantes para o fato de que “…líquidos variados são às vezes trazidos pelos pacientes para testar a habilidade do médico”.

A partir dos séculos XII e XIII, a uroscopia passou a ser realizada também por pessoas sem treinamento médico, que viajavam pelas cidades europeias alardeando sua capacidade de fazer diagnósticos, prognósticos e até de prever o futuro (prática chamada de uromancia) da pessoa por meio da análise de sua urina. Alguns desses charlatães angariaram fama e riqueza.

Havia também aqueles médicos que até se abstinham de examinar o paciente, fazendo diagnósticos à distância somente pela observação da urina, que era trazida até ele por um portador especialmente contratado (poderíamos chamá-lo de pipiboy).

O médico de Constantinopla Joannes Actuarius (1275-1328) (obcecado pelo tema, escreveu um extenso tratado de sete volumes chamado “Sobre a Urina”) alertava para o perigo do diagnóstico feito com base apenas na análise da urina, sugerindo que o exame físico era fundamental (perigo que ronda também os médicos modernos, que às vezes se concentram nos exames complementares, em detrimento do contato com os pacientes).

O número crescente de pessoas sem treinamento médico (e sem escrúpulos) que realizavam a uroscopia condenou-a gradativamente a uma condição de descrédito. O livro publicado em 1637 “O Profeta do Mijo” (Pisse Prophet), de Thomas Brian, criticou duramente a prática. Os médicos vistos com uma matula passaram a ser objeto de piadas e do ridículo, o que ajudou a levar a prática da uroscopia, enfim, ao abandono.

Hoje em dia, a análise da urina é parte fundamental da avaliação clínica do paciente, tanto em doenças do trato urinário como em condições sistêmicas. O exame mais frequentemente utilizado é o chamado Urina Tipo I ou EAS (elementos anormais e sedimentoscopia), no qual se verifica: aspecto, cor, o pH, densidade, presença de células, etc.

A presença ou ausência de glicose é verificada por uma análise química.

Felizmente, não precisamos mais verificar o sabor do xixi.

Imagens:

 

  1. O Médico (1653). Gerard Dou (1613-1675). Óleo sobre madeira, 49,3 x 37 cm. Kunsthistorisches Museum, Viena.

 

  1. Roda da Uroscopia da obra Epiphaniae medicorum, 1494, artista desconhecido. Epiphaniae medicorum. Crédito: Wellcome Collection. CC BY.

 

  1. A Uroscopia. Franz Christoph Janneck (1703-1761). Óleo sobre cobre, 31,7 x 22,8 cm. Coleção Fisher no Instituto Franklin, Science History Institute, Philadelphia.

 

Referências:

 

ARMSTRONG, J. A. Urinalysis in Western culture: a brief history. Kidney International, v. 71, n. 5, p. 384-387, 2007.

 

KAMALEDEEN, A.; VIVEKANANTHAM, S. The rise and fall of uroscopy as a parable for the modern physician. The Journal of the Royal College of Physicians of Edinburgh, v. 45, n. 1, p. 63-66, 2015.

 

KIEFER, Joseph H. Uroscopy: The artist’s portrayal of the physician. Bulletin of the New York Academy of Medicine, v. 40, n. 10, p. 759, 1964.

 

STOLBERG, Michael. The decline of uroscopy in early modern learned medicine (1500-1650). Early Science and Medicine, v. 12, n. 3, p. 313-336, 2007.

 

VOSWINCKEL, Peter. From uroscopy to urinalysis. Clinica Chimica Acta, v. 297, n. 1-2, p. 5-16, 2000.

 

FONTE: Texto extraído na íntegra da página do Facebook,  “Histórias Breves de uma Arte Longa”, de Jordano Araújo.