Olhar do Sul: Dr. Danilo Galante fala sobre a doença do HPV

Recentemente, o cantor Nego do Borel utilizou seu Instagram para postar vídeo e imagens de exames de sangue que fez com o intuito de descobrir como andava a sua saúde íntima. Com as publicações, o funkeiro decidiu rebater as acusações da ex, a atriz Duda Reis, de que ele teria lhe transmitido HPV.

“Os últimos dias tem sido de muitas acusações para mim. A minha resposta para tudo isso será provar a minha inocência. E no meio das muitas acusações eu fui acusado de ter transmitido HPV. Como quem não deve não teme, resolvi fazer um exame. E hoje vim aqui apresentar o resultado. Não, eu não tenho e nunca tive HPV, assim como nenhuma outra doença sexualmente transmissível. Se alguém que se relacionou comigo tem, não foi de mim que pegou. Eu e minha equipe estamos trabalhando dia e noite e vamos provar que essas acusações são mentirosas!”, disse nos Stories antes de exibir os resultados.

O funkeiro compartilhou com os seguidores imagens em que mostra ter testado negativo para Toxoplasmose, Zika Virus, Clamídia, Hepatite C, HTVL V l/ll, HIV e Sífilis. No entanto, nenhum dos exames mostra que ele não possui HPV.

Para esclarecer todas as dúvidas sobre a doença, o Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) Dr. Danilo Galante, formado em medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) com especialização em Urologia pela UNESP desenvolveu uma espécie de manual com tudo sobre a doença:

O que é o HPV?

HPV é a abreviação em inglês para papilomavírus humano. É uma IST (infecção sexualmente transmissível) muitas vezes não causa sintomas, mas pode provocar verrugas genitais em homens e mulheres. Também podem ser em outras mucosas como ânus, virilha, pubís e bocas. É uma das doenças mais comuns.

Transmissão

Sempre por contato sexual ou pelo menos pelo toque sexual. Ou seja, é transmitido durante o sexo, seja ele vaginal, anal ou oral. Até mesmo a masturbação pode levar ao contágio.

“O paciente pode se contaminar desde cedo, na primeira relação sexual dele da vida. O vírus fica latente por anos e anos e ele só tem a doença depois de vários anos da infecção inicial. Isso significa que o Nego do Borel pode ter pego infecção por HPV aos 15 anos e ter desenvolvido aos 40, 45. A Duda que está acusando ele de ter passado HPV também ter tido do primeiro namorado dela, não ter mostrado nenhuma lesão, porque a infecção pode ficar latente e essa infecção voltar aparece em forma de lesões 10, 20 anos depois. Não tem como acusar alguém de contágio de HPV”, aponta Danilo.

Sintomas

O HPV pode passar despercebido até as lesões surgirem. “Não são lesões que doem, coçam, tem cheirou ou deixam vermelho. São apenas verrugas – formações na pele que parecem uma vegetação. Podem ser únicas, múltiplas, podem ser grandes e únicas, mas elas são sempre lesões de pele”, afirma o médico.

E o diagnóstico?

Lesões nas partes externas dos órgãos genitais ou na região bucal podem ser detectadas no próprio consultório, mas também é possível ver com a peniscopia, em homens, e papanicolau, em mulheres.

“Diagnóstico é clínico, ou seja, examinando o paciente você olha e vê as lesões. No consultório, a gente coloca ácido acético, que nada mais é que um vinagre diluído, e olha com uma lupa para enxergar a lesões maiores. Exames de sangue só mostram se o paciente teve contato na vida – e esses exames não ajudam no diagnóstico. A gente sabe que 90% da população teve contato com HPV. Basta a gente ter pelo menos 3 parceiros sexuais na vida que você já entrou em contato. Sabemos também que depende do paciente ser suscetível ao vírus e só 10% da população é suscetível. Então, 90% tem contato e não desenvolve a doença”, diz Dr. Danilo.

A doença se comporta igual em homens e mulheres?

Segundo o médico, a doença se comporta da mesma forma em homens e mulheres. Contudo, ela é muito pior para as mulheres, porque ela tem uma associação do câncer de colo. Existem dados de que 100% das mulheres com câncer de colo de útero têm HPV, mas não significa que toda mulher que tem HPV vai ter câncer de colo de útero. Não existem grupos de risco, mas pacientes apresentaram mais lesões quando estão com o sistema imunológico pior.

Dá para saber pelos exames de sangue mostrados?

“Não é possível saber se o Nego do Borel tem ou não HPV pelos exames. Teria que fazer um exame físico e descrever essas lesões. O paciente pode ser postador de HPV e no momento do exame físico e não ter lesões. A Duda também pode ter pego de um namorado antigo e agora estar mostrando lesões, sendo que ela pode não ter pego do Nego do Borel”, afirma o médico.

Tem cura?

O HPV não tem cura, apenas controle. O controle para homens pode ser feito com tratamento físico, como a pêniscopia. O tratamento quando é encontrado lesões, é com destruição total das lesões. Podem ser queimadas com bisturi elétrico. Também podem ser destruídas pelo calor por laser, pelo frio por crioterapia e também por ácidos que são alguns cremes que corroem a lesão.

Complicações possíveis?

As lesões genitais podem se tornar frequentes, mas existem outros riscos maiores do que a questão estética. Nas mulheres, é a incidência de câncer de colo de útero. Nos homens, o HPV favorece o aumento da chances de câncer de pênis, região anal – quando tem lesões na região anal – e de câncer de boca, de laringe e faringe quanto está a região oral.

Dr. Danilo Galante – Formado em medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) com especialização em Urologia pela UNESP. Pós-graduado em Cirurgia Robótica pelo Hospital Oswaldo Cruz – SP. Doutorado em urologia pela USP, além de Fellow Observer of Johns Hopkins School of Medicine Brady Urological Institute Laparoscopic and Robotic Urologic Surgery. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia e Instrutor do ATLS (Advanced Trauma Life Support), atua em áreas diversificadas como Cálculos Urinários; Infertilidade (incluindo Reversão de Vasectomia), Disfunção Sexual e Cirurgia Robótica.

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Saiba mais sobre o HPV

Transmitido pelo papilomavírus humano, o HPV é uma das principais doenças sexualmente transmissíveis (DST). Assim como o Herpes, 90% da população já entrou em contato com a doença. Para isso, basta ter tido pelo menos três parceiros sexuais ao longo da vida.

Também como o Herpes, a doença só vai se manifestar no paciente que é susceptível a ela, ou seja, algumas pessoas podem entrar em contato com o HPV por diversas vezes e nunca pegar a doença.

O HPV se manifesta em forma de lesão (verruga), seja nos órgãos genitais ou mucosas como boca, garganta e ânus. A transmissão se dá, principalmente, através da relação sexual. Em alguns casos, o contágio acontece durante o parto e pelo compartilhamento de objetos pessoais como toalhas e roupas íntimas contaminadas.

Para contrair HPV, basta que uma pessoa susceptível tenha contato direto com a pele ou mucosa com lesões. Infelizmente mesmo com proteção, há risco de contágio numa relação sexual protegida. O preservativo protege até 80% da contaminação, mas o vírus pode contaminar também púbis, virilha, escroto e períneo.

Embora o homem seja hospedeiro do vírus, o problema é mais grave nas mulheres: 100% dos tumores de colo de útero são associados ao HPV, ou seja, pacientes do sexo feminino com HPV têm maior probabilidade de apresentar a doença.

O governo brasileiro tem campanha nacional de vacinação contra a doença. Ela é dada gratuitamente a meninas (9 aos 14 anos) e meninos (11 aos 14 anos). Homens e mulheres até os 26 anos, que receberam órgãos transplantados ou estão em tratamento contra câncer também podem receber a vacina.

Disponível em duas doses, o objetivo da vacina quadrivalente é prevenir os pré-adolescentes que ainda não entraram em contato com a doença. A vacinação pode prevenir: 70% dos cânceres do colo útero, 90% de cânceres anais, 63% de cânceres de pênis, 70% dos cânceres de vagina, 72% dos cânceres de garganta e 90% das verrugas genitais.

O tratamento do HPV objetiva a destruição das lesões, seja por elétrico cauterização, laser, crioablação ou pomadas ácidas.

Sexo oral sem proteção pode transmitir doenças?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a prática de sexo oral sem proteção pode causar diversas doenças como: herpes, HPV, sífilis, gonorreia e, até mesmo, transmitir o HIV, vírus causador da AIDS.

Nas quatro primeiras, basta que exista uma pequena área lesada para que a transmissão do vírus aconteça. No caso do HIV, o risco é menor do que em uma relação sexual convencional desprotegida, mas a infecção também pode ocorrer.

De acordo com o Manual de Controle de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), do Ministério da Saúde, as infecções estão entre os problemas de saúde pública mais comuns em todo o mundo, com cerca de 340 milhões casos novos por ano.

Não é apenas o esperma que contém o vírus. O líquido expelido antes da ejaculação masculina e o da secreção vaginal, também podem infectar o(a) parceiro(a). Ferimentos na boca decorrentes de gengivites, aftas e os causados pelas escovas de dentes aumentam o risco de infecção

A maioria das doenças decorrentes de sexo oral desprotegido tem tratamento. No entanto existe o risco de tê-las pelo resto da vida. O melhor caminho, portanto, é a proteção mútua do casal.

Saiba mais sobre as vacinas para HPV

A infecção por HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns. Por isso, é muito importante a divulgação das vacinas contra esta doença.

 

Apesar da principal forma de contágio ser sexual, a infecção também pode ocorrer no parto ou por compartilhamento de objetos pessoais como toalhas e roupas íntimas. A doença é caracterizada por lesões genitais, principalmente na forma de verrugas.

 

 

Para prevenção, existem vários tipos de vacina. A oferecida pelo SUS é a chamada quadrivalente, que protege contra os 4 subtipos mais comuns do vírus no Brasil. Após a aplicação, há desenvolvimento de anticorpos e, caso a pessoa entre em contato com o HPV, ela não desenvolve a doença. Os últimos congressos de Urologia têm mostrado associação entre pacientes que tomaram vacina e MENOR OCORRÊNCIA DE LESÕES (tanto em frequência de aparecimento, quanto em número de verrugas). 

 

No SUS, a vacina é disponibilizada gratuitamente para meninos e meninas dos 9 aos 14 anos. Homens e mulheres, dos 9 aos 26, que receberam órgãos transplantados ou estão em tratamento contra o câncer também podem receber a vacina gratuitamente. 

 

Em clínicas particulares, existem vacinas para qualquer idade acima dos 9 anos. Únicas contraindicações: gravidez, problemas de coagulação sanguínea (ex: trombocitopenia) ou ainda alergia aos componentes.

 

Na dúvida, consulte sempre um especialista.

 

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Verruga comum ou HPV? Saiba mais sobre isso!

A infecção por HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns, ficando atrás apenas das infecções por Clamídia e da Gonorreia, principais causadores de infecção da uretra. Também chamado de “Human Papiloma Virus”, ele pode infectar de forma “silenciosa”, isto é, sem sintomas. O vírus pode ficar alojado (latente) e repentinamente aparecer em forma de lesões. Isso pode ocorrer mesmo depois de muito tempo.

O HPV genital é transmitido principalmente pelo contato direto de pele com pele durante o sexo (vaginal, oral ou anal). Para transmissão é necessário lesões visíveis. A doença se espalha através do sangue.

 

 

Estima-se que existam mais de 200 subtipos de HPV, porém, a minoria destas (cerca de 14) causam lesões, sendo precursoras de câncer de colo de útero, garganta ou ânus. Saber o subtipo não é passo obrigatório para o tratamento. Entretanto, em alguns casos de dúvida, essa informação pode ser conseguida com os testes de PCR e captura híbrida.

O  HPV surge na forma de verrugas (elevadas na pele) ou lesões planas (manchinha branca ou acastanhada), podendo coçar ou não. Ocasionalmente a lesão só é visível com uso de lente de aumento, usada nos exames de colposcopia, vulvoscopia e peniscopia. Por isso, se você apresenta verrugas ou lesões na região genital, é importante buscar uma consulta de ginecologista ou urologista para complementação diagnóstica.

O tratamento é feito por meio da destruição total das lesões, com pomadas ácidas ou por meio de cauterização com bisturi elétrico, método preferido pelo Dr. Danilo Galante.

A recorrência das lesões por HPV é alta. Por isso aconselha-se retornos trimestrais do paciente ao urologista / ginecologista para exames de controle.

Prevenir é tão importante quanto tratar! O Ministério da Saúde já disponibiliza vacina quadrivalente (contra 4 subtipos), para meninos e meninas, a partir dos 13 anos. A vacina para homens adultos, sexualmente ativos, também é recomendada como forma de prevenção do aparecimento de verrugas genitais e anais, tanto para quem não tem lesões como para quem já as tratou.

 

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HPV: como prevenir

A infecção por papilomavírus humano (HPV) é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns. Segundo uma pesquisa recentemente divulgada pelo Ministério da Saúde, cerca de 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos estão em constante contato com o vírus (38,4% são vírus de alto risco para o desenvolvimento de câncer).

 

Apenas 10% dos contaminados costumam sofrer efeitos diretos da ação do vírus, apresentando a formação de verrugas na região genital, na boca e na garganta. Nas mulheres é comum lesões no colo do útero, detectáveis apenas ao exame físico (Papanicolau).

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), existem 150 tipos de HPV diferentes, sendo que 40 deles podem infectar a região anal e genital.

 

O uso da camisinha diminui o contágio, porém não o impede, já que áreas não protegidas também podem ser infectadas. A vacina contra o HPV antes do início das atividades sexuais é a forma mais eficaz de prevenção.

 

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